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Ep. 17 - A composição na Fotografia


 

Composição pode parecer um tema mais básico, mas a coisa não é tão simplista assim.



A composição na fotografia

Roteiro

Temporada: 004

Episódio: 017

Gravação: Henry Milleo

Locução: Henry Milleo



<SOBE MÚSICA

DESCE MÚSICA>



Olá pessoal.


Estamos começando mais um episódio do Arquivo Raw, um podcast para falar de fotografia.


Eu sou Henry Milleo, sou fotógrafo, editor de fotografia e host disso tudo aqui.


E o tema desse episódio é a composição na fotografia.


E eu sei que pode parecer um tema mais básico quando você leva em conta que a ideia geral desse podcast é tratar a fotografia por um viés mais aprofundado, mas segura aí que a coisa não é tão simplista assim.


Só que antes de entrar nesse tema, eu preciso dar aqui os meus recados.


E eu queria começar agradecendo ao pessoal que respondeu a pesquisa sobre o podcast. Vocês são ótimos.


E se você ainda não respondeu, ainda dá tempo. O link está lá na bio do Instagram.


É uma pesquisa rápida, leva só um minutinho para responder, mas já ajuda bastante para eu saber qual o caminho que o podcast vai seguir. Então se você puder dispensar esse tempo para contribuir, eu agradeço.


E aproveita e segue o Instagram do Arquivo Raw, que é @arquivorawpodcast. É por lá que você pode enviar mensagens e indicações de temas para os episódios e também ficar sabendo do que vai rolar pela frente.


E também queria avisar vocês que no site do Arquivo Raw você encontra não só as transcrições dos episódios a partir da terceira temporada, mas também textos sobre fotografia.


Para cada episódio que vai ao ar eu também publico um texto – geralmente nas quartas-feiras – tratando de assuntos correlatos ao que foi discutido por aqui. Pode ser um aprofundamento do tema, dicas e análises.


Então faça uma visita lá. O link está na descrição desse episódio e na bio do Instagram.


E se você gosta desse podcast e curte o conteúdo, você pode ajudar a manter o Arquivo Raw no ar.


É simples e não toma muito esforço.


Uma das formas de fazer isso é ouvindo os episódios na Orelo. A Orelo remunera os produtores de conteúdo por episódio ouvido na plataforma deles. Não é muito, é coisa de centavos, mas já ajuda.


Outra forma de contribuir é compartilhando os episódios em suas redes sociais e indicando para aquele seu amigo ou conhecido que você sabe que iria se interessar por isso daqui.


Quanto mais o número de ouvintes cresce, mais o podcast tem força para buscar um patrocínio e assim é possível investir em episódios cada vez melhores.


E você também pode classificar o Arquivo Raw no seu tocador preferido. Cinco estrelas seria ótimo, mas você pode marcar quantas quiser.


E por último você pode contribuir fazendo um pix com qualquer valor para a chave que está na descrição desse episódio.


E é isso. Recados dados, vamos para a vinheta e para o episódio.



<ENCERRA MÚSICA E ENTRA VINHETA

ENCERRA VINHETA E VOLTA SEM MÚSICA>



Primeiro, antes de pular para o tema, para situar o tópico da conversa e dar um norte para essa prosa, eu preciso relembrar aqui o que é a composição na fotografia.


Eu não encontrei em minhas pesquisas para esse episódio um ponto final sobre essa questão, mas vários estudiosos da fotografia vinculam o início da criação visual da fotografia ao processo das pinturas.


O que parece um caminho meio óbvio se você parar para refletir.


Artistas pintam retratos e paisagens e quando a fotografia se aprimorou a ponto de poder ser produzida para além das pesquisas dos cientistas, instintivamente esse modelo de composição das telas passou a ser adotado na fotografia.


Enquadramento, relação de profundidade, incidência de luz… Tudo isso passou a fazer parte da base da composição fotográfica.


Mas é claro que a coisa toda evoluiu e quando a fotografia realmente se popularizou ela já tinha uma linguagem própria, uma releitura de composições que acabaram se tornando específicas dela.


É daí que a gente tem desde a regra de terços – o mais básico do básico –, as linhas guias, a relação figura fundo, até elementos e técnicas mais elaboradas, como olho dominante, padrões e repetições, simetria e por aí vai.


Aliás, fazendo um parêntesis, amanhã no site do Arquivo Raw eu vou postar um texto falando especificamente dessas técnicas, com exemplos para você conferir. Então não deixe de conferir lá.


Mas voltando – e resumindo – se você for buscar uma definição para composição na fotografia, provavelmente vai encontrar algo dizendo mais ou menos que a composição fotográfica é o conjunto de regras que permite organizar os diversos elementos que compõem uma imagem.


Não só aquilo que você escolhe incluir na sua foto, mas também a forma como você escolhe incluir.


Ajustar o quadro da foto com atenção para não deixar nada de fora e garantir que tudo que está dentro da moldura está lá por um motivo.


Pensar nos detalhes, observar o foco principal, a forma como os diferentes planos dentro da imagem convergem entre si, sejam eles uníssonos ou dissonantes, enfim: pensar e enxergar fotograficamente.


São inúmeros aspectos que tornam o ato de compor uma imagem um caminhar entre a arte, a técnica e a informação.


Porque a criação de uma fotografia se baseia em um processo de escolha.


Desde a escolha do enquadramento, da posição em relação à luz, da quantidade de sombras que a imagem vai ter, até a escolha do equipamento.


Mas tendo feito isso – ou ao mesmo tempo que você faz isso – tem algo que você também faz, que é pensar nessa estética da imagem que você está compondo.


Veja bem. Fotografias são objetos bidimensionais, então quando você fotografa algo, você está fazendo um registro diferente do que você observa, que é uma visão tridimensional e entre os planos da fotografia surgem relações que até então não existiam.


Um exemplo disso são as fotos que criam a sensação de achatamento da imagem, fazendo o plano de fundo se fundir ao primeiro plano, como as fotos que os turistas fazem na torre de Pisa, fingindo que estão segurando para que ela não caia.


E esse resultado da fotografia surge de todos esses fatores que eu falei no início. Das escolhas que você faz.


É fácil você perceber isso se pensar diretamente na seleção da lente que vai usar.


Uma grande angular tem um tipo de recorte e cria um tipo de relação de figura fundo, enquanto uma tele – partindo do pressuposto que você fez o mesmo enquadramento, – cria uma relação bem diferente.


E é agora, tendo feito toda essa introdução para preparar o cérebro para uma discussão mais filosófica que vem o plot twist:


Você já parou para pensar em quanto dessa composição é consciente em seu trabalho?


E eu falo conscientemente porque é aqui que eu começo a dividir a minha neura.


Quantas regras de composição você conhece? E em quantas você pensa antes de disparar?


Essas questões me pegaram esses tempos atrás, enquanto eu estava com um livro chamado Ensaios Sobre Fotografia, de Niépce a Krauss, que é de organização do Alan Tranchtenberg – não sei direito como se pronuncia o nome dele – onde tem um trecho, que é de um fotógrafo chamado Edward Weston – que é um dos grandes fotógrafos americanos que viveu entre 1886 e 1958 –, e nesse trecho do livro ele diz que consultar as regras da composição antes de criar uma imagem é um pouco como consultar a lei da gravidade antes de dar um passeio.


Que essas regras e leis são deduzidas de fato consumado, então elas são o produto da reflexão e do exame a posteriori.


Quer dizer, depois que a fotografia foi feita.


Que elas não fazem, em aspecto algum, parte do ímpeto criativo, porque quando o tema é forçado a se ajustar a padrões pré concebidos, não há espontaneidade de visão.


E ele ainda termina dizendo: seguir regras de composição só pode conduzir a uma repetição imediata de clichês pictóricos.


E foi aqui que eu parei e pensei: será? Será que a composição visual de uma fotografia não é totalmente consciente?


Partindo disso, eu acredito que você fotógrafo que está escutando isto aqui, que é fotógrafo profissional ou que é um entusiasta sério da fotografia, que você, assim como eu, pensa conscientemente na composição partindo do básico que é regra de terços, linhas de fuga e molduras, mas que o resto do processo de composição, as composições mais elaboradas, digamos assim, não são conscientes.


Que você encontra isso na fotografia depois, quando você vai analisar o trabalho que você fez, da mesma forma que você analisa algum outro trabalho, de outro fotógrafo que você está apreciando.


Então – e eu confesso que claro, eu já parei e pensei em fazer uma imagem usando uma das uma dessas regras mais complexas especificamente – mas não porque isso me apareceu na cabeça naquele momento e sim porque eu queria testar algumas dessas regras de composição.


Eu fui fotografar especificamente para testar uma regra.

Só que na maioria das vezes a minha fotografia é mais instintiva mesmo, inclusive na composição.


Eu não paro e penso no Fibonacci, nos triângulos, nos três planos do quadro. Mas eu penso na regra de terço e nas linhas e molduras.


Eu não estou falando do seu material comercial, do material de ensaios, ou gastronomia, ou quem faz fotos que são mais padronizadas visualmente.


Eu estou falando das fotos que são mais espontâneas, mesmo que sejam ensaios nessas questões que eu falei, mas que elas surgem de vocês, quanto de composição é consciente?


Na minha área – na minha área principal de trabalho, que é o fotojornalismo – ela também é feita de uma série de clichês. Se você abrir a edição do jornal de hoje, você vai ver que as fotos do mesmo assunto – pega lá o futebol, por exemplo – é tudo igual.


Mas aí de repente, um dia você vê algo diferente, e aquilo te atrai. Você olha com mais calma, procura saber quem é o fotógrafo.


É por isso que a foto que você faz para você, de um projeto que você tem ou de algo que você gosta de fotografar, fica melhor do que o que você faz profissionalmente, porque você não está preso a essas regras de composição.


Você não tem nenhum compromisso com o resultado daquilo que não seja o compromisso consigo mesmo.


E aí vem a questão principal: não seria justo você se sentir livre fotografando para que você desenvolva o seu estilo e a sua linguagem fotográfica e seja procurado pelos seus clientes por esse seu estilo e essa sua forma de composição?


Ok, eu sei que tem a questão de mercado, de concorrência comercial, que o público não tem educação visual o suficiente para entender isso, que as pessoas querem o mesmo que viram em outro trabalho em uma rede social.


Mas existem fotógrafos que são assim, que são procurados porque eles ditam as regras do que o trabalho deles representa.


E são procurados porque eles têm esse diferencial – que é um diferencial simples – de imprimir em seu trabalho o seu estilo.


É aqui que eu entro naquela questão que eu sempre defendo de que a boa fotografia depende da bagagem do fotógrafo, do quanto eu tenho de conhecimento ou de consumo visual ou da educação visual para fazer uma boa foto, porque isso acaba surgindo instintivamente.


Então, era isso que eu queria deixar aqui para vocês.


Na verdade, esse episódio é para deixar essa pergunta no ar: Quanto da composição do seu material é consciente?


Não é um episódio para trazer uma resposta, mas um episódio para trazer uma reflexão – e algumas minhocas a mais na sua cabeça de fotógrafo.


Então se puder responda aí – na caixa de mensagem desse episódio ou mandando um alô lá pelo Instagram – se você concorda que a composição na fotografia é um processo inconsciente do fotógrafo e que parte desse processo vem depois, quando você vai analisar a sua foto.


<SOBE MÚSICA

DESCE MÚSICA>


E é isso. Eu vou ficar por aqui, espero que você tenha gostado desse episódio – deixe aí a sua opinião.


E acompanhe o Arquivo Raw também lá pelo site do podcast – o link está na descrição desse episódio.


E me sigam também no Instagram, que é @henrymilleo.


<SOBE MÚSICA

DESCE MÚSICA>


Esse episódio usou trilha do podcast.co

Fiquem bem, até a próxima. Ciao!


<SOBE MÚSICA

FADE OUT

ENCERRA>



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